O que eu tenho a dizer sobre: A Menina Submersa: Memórias, de Caitlín R. Kiernan

Esta é a história de India Morgan Phelps, mas também é uma história sobre sereias e como seu canto é capaz de enfeitiçar e seduzir os jovens ao suicídio. É uma história de fantasmas. E de lobos.

 

capa-menina-limitedTítulo original: The Drowning Girl
Autor (a): Caitlín R. Kiernan
Editora: DarkSide Books
ISBN.: 9788566636536
Ano 2015
Número de páginas: 320

 Sinopse:

Com uma narração intrigante, não linear e uma prosa magnífica, Caitlín vai moldando a sua obsessiva personagem. Imp é uma narradora não confiável e que testa o leitor durante toda a viagem, interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários durante a narrativa. Ao fazer isso, a autora consegue criar algo inteiramente novo dentro do mundo do horror, da fantasia e do thriller psicológico.

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Imp é uma mulher de 20 e poucos anos, que sofre de esquizofrenia desorganizada, doença herdada da mãe e da avó que, por conta dela, acabaram cometendo suicídio. Com o sonho de ser pintora,  no seu aniversário de 11 anos Rosimere, sua mãe, à levou a um museu para conferir uma exposição de arte. Essa foi a primeira vez que Imp viu o quadro A Menina Submersa, de Phillip Saltonstall. E esse passou a lhe assombrar por os quase 11 anos que se seguiram. Controlada a base remédios e visitas periódicas à psiquiatra e com o intuito de manter suas lembranças registradas para que estas lhe sirvam de alicerce entre o real (factual) e o imaginário, Indian resolve escrever suas memórias, da melhor forma possível em sua velha máquina de escrever. Sua história de fantasma. Os fantasmas que lhe perseguiram durante toda a vida.

“Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo” – A Menina Submersa

 

 

Além do quadro de A Menina Submersa e d’O Voyeur da Destruição Absoluta (em Retrospecto), que visitou anos mais tarde, seu maior fantasma é Eva, uma mulher que encontrou nua, na beira da estrada em uma de suas andanças à noite. Mas acho que estou me adiantando demais na história. Voltemos um pouco.

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Em uma tarde, após sair do trabalho, Imp resolve caminhar um pouco antes de ir para casa e é aí que ela encontra Abalyn, uma mulher que acabara de sair de um relacionamento e que não tinha para onde ir. Com todos os seus pertences na rua, Imp acaba convidando-a para ir ficar com ela. Algum tempo depois as duas começam a namorar e Abalyn passa a ter grande importância na sua vida. Afinal, ela é a mulher que, muitas vezes, serve de âncora para nossa querida personagem principal. Meses depois, em uma noite calma e agradável, Imp decide dar uma volta de carro para aproveitar o clima e é quando ela encontra Eva. Parada no meio fio. Nua. Completamente molhada. Sem pensar duas vezes, Imp para o carro e vai falar com ela. Tentar prestar socorro. Sem falar coisa com coisa e sem saber para onde levá-la, Imp acaba a levando para casa. E é a partir dessa noite que Eva passará a lhe assombrar para sempre.
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A Menina Submersa: Memórias não é nenhum pouco linear. A história vai e depois retrocede no tempo. Possui poemas, referencias a pintores e artistas famosos e imaginários, reportagens. Há casos de assassinatos. Há Sereias. Há lobos.

O livro é contado em primeira pessoa. Diretamente por Imp e, apesar de ser um livro bem detalhado e, as vezes, possuir certa dificuldade de ser lido, é incrível e ao mesmo tempo perturbador estar dentro da cabeça de um esquizofrênico. Com uma leitura conflituosa, o leitor não pode se apagar aos fatos.  Interpreta-los como verdade absoluta. É impossível saber o que é real e o que não é, para ela e para nós leitores. Nos pegamos a todo momento em dúvida se os relatos são verdadeiros ou apenas mais uma invenção da cabeça de Imp. Embora ela os conte com toda certeza e nos faça acreditar em cada palavra do que diz, mais adiante na história, Imp se corrige. Afinal aquilo nunca acontecera. Ela se enganara.

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Real e imaginário se misturam nesse livro onde sereias são tratadas como personificação da insanidade.

De forma profunda e inovadora, a autora consegue nos inserir diretamente dentro da cabeça de India. Em geral, quando lemos um livro, mesmo em primeira pessoa, somos capazes de imaginar em algum momento, uma autora por trás de tudo aquilo. Arquitetando os fatos e moldando todo o enrodo. Com A Menina Submersa, eu não senti isso. Mesmo agora, horas depois de ter terminado a minha leitura, não consigo visualizar uma pessoa escrevendo todos os pensamentos confusos, desorganizados e estranhos por trás de India. Apenas consigo visualizar Imp. Sentada em seu quarto azul cheio de livros e cheirando a óleo de linhaça, tintas, solvente e gesso.

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No fim, A menina Submersa é um livro para ler devagar, com calma, prestando atenção aos detalhes e, mesmo com todo esse cuidado, é bem provável que você vai se perder vez ou outra e terá que reler alguma parte novamente. E uma coisa é certa, Abalyn sempre será sua âncora, enquanto Eva será sempre sua ruína.

Maria Simone

24 anos, leonina, carioca, futura design gráfica e leitora assídua até de rótulo de shampoo. Apaixonada por fotografia e pela natureza.

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8 Comments

  1. Responder

    Luana Souza

    abril 10, 2016

    só o designer desse livro é motivo mais que suficiente para comprar esse livro *-* mas eu também adorei a sinopse! Esquizofrenia é um assunto que me chama muita atenção e é uma das causas de eu pensar em cursar psicologia na faculdade 🙂
    adorei a sua resenha e as suas fotos ficaram muito lindinhas *-*
    beijos :*

    • Responder

      Maria Simone

      abril 11, 2016

      Que legal Luana. Acho que você irá adorar esse livro. É muito interessante ler a história do ponto de vista da Imp com a história sempre indo e voltando. Um outro detalhe bem legal é que a personagem conversa consigo mesma enquanto escreve. Se chama a atenção…
      Se tiver a oportunidade leia sim.
      Beijos!

  2. Responder

    Hellen Cristhi

    abril 13, 2016

    Muito bom esse livro, assim como a editora, DarkSide.

    Adorei seu blog!

    Abraços!

    • Responder

      Maria Simone

      abril 15, 2016

      DarkSide é ótima! Sou apaixonada pelos livros dela <3

  3. Responder

    Áthany

    abril 16, 2016

    Eu já tinha achado a capa do livro maravilhosa, e até queria ler, mas com esse post falando sobre o livro….AGORA PRECISO LER!!! Não tinha achado nenhuma resenha que me deixasse curiosa e com muita vontade assim de ler. <3

    • Responder

      Maria Simone

      abril 17, 2016

      Aaaaii que bom que você gostou da resenha Áthany *-*
      Esse livro é ótimo! Além da história ele é liiindo, né?
      Beijos!

  4. Responder

    Richele

    abril 22, 2016

    Esse livro é extremamente maravilhoso, diferente de qualquer outro que eu já havia lido. O enredo é sensacional!

    • Responder

      Maria Simone

      abril 22, 2016

      Verdade Richele. É um livro beem diferente e maravilhoso <3

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