A Caverna

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Entre quatro paredes foscas
Pulsam olhos sem cor
Acendem brilhos sem estrela
Cheios de vontades vazias
De esperanças sem nome
O amanhã é só amanhã
Estão todos juntos…
Estão todos sós…
Solidão de multidão
Bocas que se encontram e não despedem
Corpos que se acham
Em esbarros ao acaso
Estão todos juntos…
Estão todos sós…
Movimentos sincronizados
Sentimentos ensaiados
Sós
Ninguém ousa abrir a janela
Nem se permite o brilho da lua
Paredes escuras
Apenas uma porta
Para entrar e afogar seus sonhos solitários
Buscar adrenalina em terra plana
E, ao sair…
A vontade de vazio foi saciada

 

Eis os colecionadores de vazios
Nos buracos negros da cidade
Mentes foscas
Sorrisos pra dentista
Fotos pra catálogo
Vidas sem pulsar
O ponteiro já virou
O dia despontou
E os pobres corações aflitos
Sós, saem pra ver o sol
Tão desesperadamente famintos
Que esqueceram de sonhar ilusões reais
De dilatas as pupilas
De provocar a saudade do sol seguinte

 

De abrir os poros e sentir a vida entrar
Passou
Espero que acordem mais vivos
E que ainda dê tempo
E que não sejam estas palavras seus epitáfio
Enquanto há tempo e vida lá fora…

Talita Nogueira – Como Se Fosse Verdade

 

 


 

Talita

Talita Nogueira, 26 anos, é natural de Porto Velho – RO, morou no Rio de Janeiro e radicou-se no Ceará. Advogada, graduada pela Universidade de Fortaleza em 2014, estudou teatro e TV em Escolas de Fortaleza e Rio de Janeiro sempre em paralelo ao curso de direito.

Para conhecer mais sobre o trabalho da autora acesse: Como Se Fosse Verdade – encontro com autora e parceria

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Maria Simone

24 anos, leonina, carioca, futura design gráfica e leitora assídua até de rótulo de shampoo. Apaixonada por fotografia e pela natureza.

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