O que eu tenho a dizer sobre: Carta de Amor aos Mortos, de Ava Dellaira

Cartas de amor aos mortos

Querida Laurel,

Encontrei suas cartas esses dias por acaso. Estava bisbilhotando alguns livros e as encontrei. Eu não sabia muito bem sobre o que elas tratavam, mas aos poucos fui me apaixonando pelas suas palavras e não consegui parar a leitura até ter terminado de lê-las. Me senti conectada com você, com sua alma de tal forma que sofri por você, senti o coração apertar junto ao seu e a mesma sensação à embrulhar o estômago.  Fui capaz de chorar, sorrir e ficar zangada junto com você. De vez em quando, sentia uma necessidade enorme de atravessar as páginas e te dar um abraço. Você me passou tanta coisa através de suas cartas que eu não pude deixar de escrever esta carta para lhe agradecer.

“- Sabe, acho que, quando você perde alguma coisa próxima, é como perder a si mesmo. É por isso que, no final, até escrever é difícil para ela. Ela quase não sabe como fazer. Porque quase não sabe mais quem ela é”

Você me contou sua história de uma forma tão profunda e sincera que era possível sentir sua alma junto às suas palavras. Me apaixonava mais a cada frase lida. Você tem um talento singular com as palavras e pode ter certeza que você seria e é uma escritora maravilhosa. Não consigo nem imaginar o que é passar pelo que você passou. Eu tenho um irmão mais velho. E o amo tanto que perdê-lo com certeza tiraria todo o meu chão. Assim como tirou o seu quando você perdeu May. Eu sinto muito por sua perda. Sinto muito por você ter passado por tudo que passou e principalmente por se sentir tão culpada todo esse tempo e ainda por cima se manter em silêncio sem conseguir conversar com ninguém e poder seguir em frente. Ninguém nesse mundo deveria passar pelo que você passou.

Pude perceber o quanto escrever para Jim Morrison, Kut Cobain, Amy Winihouse, Harth Ledger e outras tantas personalidades já falecidas puderam te ajudar a se libertar de toda essa culpa e esse martírio que te assolavam. Fiquei feliz por ter visto todo o mundo através dos seus olhos, que de inicio eram tão inocentes que me davam vontade de protege-la de tudo e de todos, inclusive até de si mesma. Mas me senti tão feliz ao vê-la amadurecendo e encarando a vida junto aos seus amigos (que parecem ser os melhores amigos que qualquer pessoa poderia ter).

Cartas de amor ao mortos - Ava Dellaira

“Talvez ao contar as histórias, por pior que sejam, não deixemos de pertencer a elas. Elas se tornam nossas. E talvez amadurecer signifique que você não precisa ser uma personagem seguindo um roteiro. É saber que você poder ser a autora”

Sei que agora as coisas vão melhorar pra você. Você tem grandes amigos, uma família que vai te ajudar no que for preciso. Mas sei que o buraco deixado pela perda de May vai continuar sempre com você. Em sua última carta, você citou um trecho de E.E. Cummings que dizia: “eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)” e sei que será assim de agora em diante. O coração de May estará sempre junto ao seu. E agora um pedacinho do seu também estará junto ao meu.

Desejo que você continue a ser forte e que você seja sempre você mesma. Você é uma pessoa incrível e encantadora. Foi uma honra tê-la conhecido.

Obrigada por tudo o que me ensinou.

Beijos,

Maria Simone.


Cartas de amor ao mortos - Ava Dellaira

“- Você acha que conhece alguém, mas essa pessoa sempre muda, e você também está sempre em transformação. De repente entendi que estar vivo é isso. Nossas próprias placas invisíveis se movem em nosso corpo, e se alinham à pessoas que vamos nos tornar.”

 

55042_ggTítulo original: Love Letters to the Dead
Autor (a): Ava Dellaira
Editora: Seguinte
ISBN.: 9788565765411
Ano 2014
Número de páginas: 376

 Sinopse:

Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky.
Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

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Maria Simone

24 anos, leonina, carioca, futura design gráfica e leitora assídua até de rótulo de shampoo. Apaixonada por fotografia e pela natureza.

junho 1, 2016

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4 Comments

  1. Responder

    Jeyse Aquino

    junho 3, 2016

    Achei super amor. Sou dessas que compra o livro pela capa, e posso dizer que este é um tipo de livro que eu compraria. Ainda mais agora, depois disso:

    “- Sabe, acho que, quando você perde alguma coisa próxima, é como perder a si mesmo. ” ♥

    Um beijo, e quando eu ler esse livro, volto aqui pra dar um hello sobre ele! 🙂 ♥

    • Responder

      Maria Simone

      junho 6, 2016

      Verdade Jeyse. Além de uma capa linda o livro é maravilhoso. Vale muito a pena ser lido.
      E volte sim, flor! Vamos conversar sobre ele 😉

      Beijos!

  2. Responder

    Miguel Angelo

    janeiro 30, 2017

    MEU DEUS!! EU TÔ NO CHÃO COM ESSA CARTA!
    Que coisa maaais lindaaaaaa <3 Amei Amei Amei Amei

    • Responder

      Maria Simone

      fevereiro 5, 2017

      *—*
      Obrigadaaaa ❤
      Fico feliz que tenha gostado ^^
      Essa carta é meu xodó haha
      Beijos!

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