A adolescência nunca é um período fácil pra ninguém. A gente se sente perdido. Parece que ninguém nos entende. A gente não sabe muito bem quem somos de verdade. Não sabemos o que queremos para o futuro. Tudo é muito incerto e a pressão de ter que escolher ali, aos 17/18 anos, o que faremos para o resto da vida (ou pelo menos pelos próximos 5 anos) é gigantesca. Mas a gente supera.

Para Nanette O’Hare isso não poderia ser diferente. Nanette é uma exímia jogadora de futebol, uma boa aluna, uma boa filha… Está quase conseguindo uma bolsa integral para a faculdade graças ao futebol. Sua vida parece incrivelmente perfeita. Exceto pelo fato de que ela ainda não descobriu quem realmente é, que ela se sente sozinha o tempo todo e que odeia jogar futebol.

 

Título original: Every exquisite thing
Autor(a):  Matthew Quick
Editora: Intrínseca
ISBN.: 9788551003008
Ano: 2018
Número de páginas: 272

 Sinopse:

Aos 18 anos, Nanette O’Hare é a típica boa garota. No fundo, porém, ela nunca se sentiu realmente parte do grupo, sufocando em um permanente desconforto com diversas atitudes das amigas e com os padrões sociais. Mas tudo muda quando, no último ano do colégio, ela ganha um livro de seu professor preferido, o clássico cult O ceifador de chicletes, e fica fascinada com a mensagem de que ela pode ser de fato quem é. Nanette se torna amiga do recluso autor e se apaixona por Alex, um jovem poeta que também é fã do livro. Encantada com esse novo mundo que se abre, ela se permite, pela primeira vez, tomar as próprias decisões. No entanto, aos poucos Nanette percebe que a liberdade pode ser um desejo arriscado e começa a se perguntar se a rebeldia não cobra um preço alto demais.

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4 estrelinhas

Tudo começa a mudar no último ano do Ensino Médio, quando seu professor favorito a presenteia com o livro O ceifador de chicletes. Sua história muda completamente a forma como Nanette encara a vida e a deixa tão fascinada de uma forma que ela acaba fazendo amizade com Booker, autor do livro. Booker é um senhor, já idoso que odeia falar sobre seu livro e que acaba apresentando Nanette à Alex, um rapaz da idade de Nanette que também é fascinado por O ceifador de Chicletes. A química entre os dois é instantânea e Nanette começa a ver que a vida pode ser  muito mais do que ela imagina.

Mas se descobrir e saber quem é não pode ser tão simples assim, pode?

Meu primeiro contato com Matthew Quick foi com O Lado Bom da  Vida e eu simplesmente amei esse livro. Por isso, não pensei duas vezes antes de solicitar o Todas as coisas belas e descobrir um pouco mais sobre a estória de Nanette O’Hare. Como sempre, Quick nos dá um livro com uma leitura gostosa e envolvente que leva o leitor a refletir sobre diversos problemas desse período em que se está adentrando a vida adulta.

Talvez aquilo fosse um problema da literatura: ela fazia sentido apenas no abstrato, não oferecia ajuda na vida real, que exigia muito mais coragem do que o necessário para virar páginas sozinho, escondido do mundo num canto, na cama, debaixo de uma árvore.

Em Todas as Coisas Belas conhecemos toda a estória através dos olhos de Nanette, nossa personagem principal, que está completamente perdida. Ela se sente solitária, se sente diferente de todo mundo, ela sente como se estivesse sempre indo contra a maré e isso a torna a esquisita da escola. Um ponto muito legal desse livro é que ele tenta trazer essa coisa da individualidade, de que você pode fazer e ser o que você quiser. Você não precisa gostar do que todo mundo gosta, nem fazer as coisas porque todo mundo está fazendo.

 

Todas as coisas belas possui diversas referencias à livros, poemas e músicas incríveis. Preciso confessar pra vocês que me peguei anotando até algumas coisinhas desse livro para poder procurar depois haha. Então se você é do tipo que gosta de fazer marcações e anotar trechos de livros, você vai se esbaldar com esse aqui.

— Por que não me dá uma resposta direta?
— Porque isso não existe. É o que se aprende quando crescemos. Ninguém sabe a resposta. Ninguém.

Entretanto, por mais que eu tenha gostado da leitura e tenha achado o livro muito fluido, algumas coisinhas realmente me incomodaram. Além da personagem principal e de toda a confusão que é a cabeça da Nanette, não senti que outros personagens, mesmo os que eram importantes ali dentro do contexto, foram bem trabalhados. Não consegui, em momento algum da leitura, me identificar e criar uma afeição por um personagem específico. Senti que faltou certa profundidade em várias cenas e vários personagens. Senti falta de conhecer um pouco mais sobre eles, sobre suas histórias, suas ambições… Acho que isso tem um pouco a ver com a relação da própria Nanette com a vida e o quanto ela anda confusa para prestar atenção e entender as pessoas ao seu redor, mas mesmo assim senti que faltou um pouco mais dos personagens pra dar uma incrementada no enredo.

“Existem muitos jovens solitários neste mundo, mas o problema é que eles não se conhecem. Se todos os solitários pudessem se unir, coisas incríveis poderiam acontecer, mas o mundo teme esse encontro, e faz o possível para mantê-los distantes.
Por quê?
Porque os solitários geralmente têm grandes ideias, mas nenhum apoio. E pessoas que tiveram oportunidades geralmente possuem ideias péssimas, e muito poder. E não se abandona o poder…”

Mesmo com esse porém, recomendo demais o livro para quem está na vibe de uma leitura fluida e leve. Sabe aquele livro para ler rapidinho em um fim de semana e ainda te fazer refletir sobre a vida? Todas as Coisas belas é esse livro!

Já leu o livro? Gosta do trabalho do Matthew Quick? Me conta ali nos comentários 😉

Maria Simone

24 anos, leonina, carioca, futura design gráfica e leitora assídua até de rótulo de shampoo. Apaixonada por fotografia e pela natureza.

maio 12, 2018
junho 6, 2018

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